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Por que os memes sobre Endrick e Carlo Ancelotti se tornaram a sensação viral desta Copa do Mundo

Aí vêm eles, os brasileiros, iluminando esta Copa do Mundo, tornando-a deles novamente. Eles são tão inventivos. Eles fazem você…
Notícias de Esporte

Aí vêm eles, os brasileiros, iluminando esta Copa do Mundo, tornando-a deles novamente. Eles são tão inventivos. Eles fazem você rir e chorar, muitas vezes ao mesmo tempo. Não seria um grande torneio sem eles.

Vinícius Júnior? Matheus Cunha? Claro, eles também são bem-vindos, mas estamos falando de outra coisa: os curingas online, os memeweavers, os satíricos de quarto que, nas últimas duas semanas, pegaram uma questão de seleção bastante prosaica e a tornaram planetária, criando o que podemos certamente, mesmo neste ponto, declarar a sensação viral de todo este torneio.

Se você tiver olhos funcionais e uma conexão com a Internet, você já os viu: as piadas visuais, as monstruosidades da IA, os vídeos antigos reformulados. São muitos para contar; mais aparecem a cada minuto. Todos zombam do técnico do Brasil, Carlo Ancelotti. A razão? Sua aparente reticência em jogar contra Endrick, o atacante de 19 anos que emergiu como a grande esperança do público brasileiro na Copa do Mundo, o jogador que – prossegue o argumento – simplesmente deve ser colocado em um time mediano para tornar tudo dourado.

Chegaremos à lógica dessa posição em um momento. Primeiro, vale a pena deleitar-se com o caos, medir a temperatura do, bem, ‘discurso’ pode ser um pouco generoso, mas essa é a ideia.

Imagens e sons da primeira semana da Copa do Mundo

O ruído de fundo remonta a março, quando Endrick – naquela época considerado um estranho na seleção para a Copa do Mundo, e muito menos no onze inicial de Ancelotti – entrou em um amistoso contra a Croácia. Aos 14 minutos de jogo, ele ganhou pênalti e fez assistência para Gabriel Martinelli.

A participação especial o empurrou para os planos de Ancelotti para este verão. Também lembrou ao Brasil sua qualidade. Quando o Seleção foram lisonjeiros para enganar nos jogos de preparação para a Copa do Mundo contra Panamá e Egito, a torcida gritou o nome de Endrick. O mesmo aconteceu na estreia do Grupo C contra Marrocos. Mas enquanto Ancelotti o colocou contra o Egito (e foi recompensado com um gol), o jovem permaneceu no banco por 90 minutos em Nova Jersey.

Endrick comemorando seu gol em amistoso contra o Egito (Kirk Irwin/Getty Images)

Quando questionado sobre isso após o jogo, Ancelotti acertou em cheio. “Não estou aqui para falar de jogadores individuais”, disse ele em entrevista coletiva. O olhar mortal que ele lançou para um YouTuber quem perguntou sobre o não comparecimento de Endrick disse exatamente quanto tempo ele tinha para o debate.

E assim começou, o memepocalipse.

O fandom brasileiro é uma coisa engraçada, tanto em sua complexidade – o Brasil, como disse uma vez uma de suas grandes figuras culturais, não é para iniciantes – quanto no sentido ha-ha. Com uma população de mais de 200 milhões de habitantes, qualquer notícia gera uma onda de piadas, muitas delas muito cortantes.

Então foi aqui. Ancelotti foi retratado, de cerca de 50 mil maneiras diferentes, como um mesquinho, um vilão que não pararia diante de nada para frustrar todos os planos de vida que Endrick já sonhou.

Aqui estão três exemplos ilustrativos, caso você esteja vivendo sob uma rocha. Se Endrick amasse dinossauros, Ancelotti seria o meteoro:

Se Endrick dissesse que gostava de sementes de gergelim no pão de hambúrguer, o pombo Ancelotti escolheria todas:

Se o tempo de jogo de Endrick estivesse garantido se Ancelotti caísse desta ponte oscilante… bem, você entendeu:

Isso é engraçado e, à sua maneira, significativo. Durante os primeiros 11 meses de sua gestão, Ancelotti não foi exposto à mania do complexo industrial do futebol brasileiro. Ele sentiu o gosto estranho, principalmente nos constantes questionamentos sobre a ausência de Neymar no time, mas não na trave completa. Nas últimas semanas, houve um claro aumento. Uma Copa do Mundo fará isso em um país que ganhou cinco delas.

A escolha de Neymar e os subsequentes problemas com lesões aumentaram a intensidade na mídia local. Quando o Brasil sair dessa competição, a autópsia vai focar nisso. Agora também existe Endrick. Por enquanto, parece um pouco menos central, mas a história está aí, incomodando. Mesmo a aparição de Endrick como reserva na vitória por 3 a 0 sobre o Haiti, na sexta-feira, não pareceu aliviar a tensão.

Para ser claro, não há evidências de que Ancelotti tenha visto os memes. O que podemos dizer é que ele está ciente da onda de opinião pública por trás disso, a Endrickmania. Ele é questionado sobre o atacante em todas as coletivas de imprensa. “Noto que os fãs estão pressionando muito por Endrick”, disse ele na terça-feira.

Não são apenas os fãs. Os vencedores da Copa do Mundo, Tostão e Bebeto, convocaram Ancelotti para escolher Endrick. O mesmo aconteceu com Zico, o fulcro da querida seleção brasileira de 1982. “Não vejo nenhum outro jogador no elenco com as mesmas características ou personalidade” Zico disse à ESPN Brasil. “Ele é decisivo.”

Há algo nisso. Apesar do tempo de jogo limitado, Endrick convocou alguns grandes momentos para o Brasil: veja seu primeiro gol internacional contra a Inglaterra, em Wembley, ou sua contribuição para a vitória no amistoso contra o México em 2024. “Sempre que ele entra, mesmo que seja por dois ou três minutos, ele muda a partida”, disse o zagueiro brasileiro Eder Militão, lesionado, no início deste mês. “Ele tem esse poder de estrela.”

Militão não é o único companheiro de equipe apaixonado por ele. “Uma joia rara”, disse Danilo, utilitário brasileiro, após o jogo com o Marrocos, e isso representa o sentimento mais amplo do time.

Ancelotti, para ser justo, também elogiou Endrick. “Ele é um talento extraordinário”, disse o italiano na semana passada. Essa apreciação, porém, ainda não se traduziu em uma vaga inicial. Mesmo com Raphinha lesionado e Neymar não totalmente recuperado, os sinais são de que Endrick ficará novamente de fora contra o Haiti esta noite, com Luiz Henrique e Rayan aparentemente à sua frente na hierarquia.

Parte do subtexto por trás de todas as piadas e memes é a ideia de que isso é de alguma forma pessoal. As pessoas apontam o tempo de Endrick sob o comando de Ancelotti no Real Madrid como prova. O primeiro foi titular em apenas oito partidas em 2024-25, com média de 23 minutos em campo em 37 partidas.

Endrick e Carlo Ancelotti estiveram juntos em Madrid (Angel Martinez/Getty Images)

Isto é certamente uma travessura. Ancelotti tinha boas opções à sua disposição em Madrid. Endrick estava se adaptando à vida na Europa após sua transferência lucrativa do Palmeiras. O próprio jogador descartou qualquer ideia de desavença entre ele e seu técnico. “Estou feliz por tê-lo na minha vida”, disse Endrick sobre Ancelotti após o jogo com a Escócia. “Agradeço a Deus por ele estar aqui conosco porque é um grande treinador.”

A lógica de Ancelotti é provavelmente muito menos dramática. Por um lado, o histórico de Endrick como titular é desanimador. Ele foi escalado para a seleção contra o Uruguai na Copa América de 2024 – depois de uma campanha pública semelhante, coincidentemente – e fez um jogo ruim. Em sua única outra partida como titular, nas eliminatórias da Copa do Mundo, contra o Paraguai, foi expulso no intervalo.

Essa é uma amostra pequena, com certeza, mas também vale lembrar que ele é apenas uma criança. Fez grandes jogos pelo Palmeiras, mas uma Copa do Mundo é a definição de um ambiente de alta pressão. Protegê-lo um pouco pode não ser uma ideia tão ruim. Nem, apesar de todos os jogadores brilhantes que o Brasil produziu ao longo dos anos, é normal que os jovens sejam jogados no fundo do poço: o último adolescente a iniciar um jogo da Copa do Mundo pelo Brasil foi Marco Antonio, em 1970.

Não se engane: Endrick é um talento. Esse fato, aliado à sua personalidade adorável (e, é preciso dizer, algumas relações públicas astutas), fizeram dele o namorado do Brasil. Jogue no Seleção luta contra Marrocos em particular, e você pode entender de onde veio a onda de postagens nas redes sociais. Ancelotti, porém, parece que permanecerá impassível. “Temos que usá-lo no momento certo”, disse ele esta semana. “Não há pressa.”

A mensagem, por enquanto, parece relativamente clara: esperem mais participações especiais vindas do banco. E, sim, mais alguns milhares de passeios na imparável máquina de memes do Brasil.



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chutebr

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