Faltando menos de 30 minutos para o final aqui em Nova Jersey, a Inglaterra ficou em segundo lugar no Grupo L. Os torcedores estavam procurando voos para Toronto. A Inglaterra não marcava nenhum gol há 10 dias, ou mais pertinentemente, em 157 minutos de futebol, sem incluir os descontos.
Tudo estava começando a parecer um Euro 2016. Há 10 anos, a Inglaterra somou quatro pontos nos dois primeiros jogos. Roy Hodgson decidiu fazer seis alterações para o terceiro jogo contra a Eslováquia, na esperança de provocar uma melhoria. A Inglaterra não pôde ser assistida, empatou em 0 a 0 e a Islândia aconteceu uma semana depois. Todos podíamos ver o contorno do iceberg no horizonte.
Bukayo Saka cobrou escanteio pela esquerda. Ele lutou a tarde toda, mal conseguindo vencer o adversário, e foi a entrega de um homem cansado, muito achatado, muito baixo até para José Fajardo ou Andrés Andrade cabecearem. Jorge Gutierrez segurava Bellingham com os dois braços e parecia que a Inglaterra não estava indo a lugar nenhum. Mas Bellingham, de costas para Saka, usou Gutierrez como muleta, mantendo-se firme, estendendo a perna esquerda o suficiente para desviar a bola que quicava no canto inferior. Estava na rede antes que alguém percebesse.
Três minutos depois, Bellingham foi lançado pela ala esquerda. Ele voltou para o pé direito, fingiu cruzar, fingiu e voltou para o outro lado. Fidel Escobar ficou enraizado, Bellingham ficou livre e, com a bota esquerda, fez um cruzamento perfeito para Kane passar na frente de Andrade e cabecear.
Bellingham comemora seu primeiro gol pela Inglaterra (Justin Setterfield/Getty Images)
Foi o suficiente para a Inglaterra vencer este jogo acirrado, tenso e difícil. Eles não tinham jogado muito bem até aquele momento, e também não jogaram muito bem depois disso.
Apesar de Tuchel ter falado sobre a importância de quebrar defesas bem organizadas, encontrando sobrecargas cruciais, a soma total do jogo da Inglaterra no primeiro tempo foi empurrar a bola para Marcus Rashford e torcer pelo melhor. Kane, pelo segundo jogo consecutivo, lutou para encontrar espaço para causar impacto. Com Declan Rice descansado, o time parecia desequilibrado e o Panamá achou muito fácil encontrar espaço.
O que a Inglaterra precisava desesperadamente, mais do que qualquer outra coisa, era de um momento. Foi isso que eles não tiveram durante toda a tarde contra Gana, na terça-feira, enquanto lutavam, primeiro com paciência, depois com impaciência, esperando que algo de bom acontecesse. O mais perto que chegaram de um momento, se é que se pode chamar assim, foi Kane desviando estranhamente seu voleio de pé esquerdo por cima da barra no último minuto.
A Inglaterra já sabia há algum tempo que era assim que a Copa do Mundo aconteceria. Em novembro passado, o assistente técnico da Inglaterra, Anthony Barry, explicou que as condições desta Copa do Mundo não seriam propícias ao jogo de elite. “O ambiente lá fora [in the US]não facilita o futebol de classe mundial”, explicou Barry. “Será um torneio de momentos. Você não verá o melhor time jogando o melhor futebol. Simplesmente não permite. A seleção que vencer a Copa do Mundo será um momento”.
Por que Jude Bellingham ainda está sendo subestimado
Quem melhor para liderar a Inglaterra em uma Copa do Mundo como essa do que Bellingham? Ele é claramente um jogador de momentos notáveis, um dos melhores que a Inglaterra já produziu nos últimos anos. Quaisquer que sejam as críticas que as pessoas possam fazer a ele, ninguém jamais poderá duvidar de sua capacidade de dominar um grande jogo quando mais importa, de inventar algo, qualquer coisa, para virar o jogo a seu favor.
Lembre-se de dois anos atrás em Gelsenkirchen. A Inglaterra perdeu por 1 a 0 para a Eslováquia aos 94 minutos e foi eliminada da Euro 2024. Eles estiveram totalmente infelizes a noite toda, e o mandato de Gareth Southgate estava prestes a terminar com sua própria Islândia. E então Marc Guehi acertou um lançamento longo e Bellingham deu o chute acima da cabeça mais surpreendente para manter a Inglaterra viva. Graças à correção radical de rumo de Bellingham, eles terminaram na final.
Bellingham comemorou esse gol ao gritar “quem mais?”, tornando ainda mais explícito o que já estava implícito no gol. Ninguém mais faria ou poderia ter feito isso. Ninguém mais teria sequer concebido disso. Mas Bellingham não pensa nem joga como jogadores de futebol normais.
Bellingham também preparou o gol de Kane (Mattia Ozbot/Getty Images)
Tuchel sempre soube disso. Tudo o que ele fez desde que assumiu foi com o objetivo de trazer o melhor Bellingham para esta Copa do Mundo, mais faminto, mais afiado e mais comprometido do que nunca. Depois do jogo contra a Croácia, quando Bellingham colocou a Inglaterra a vencer por 3-2, correndo do meio-campo até o meio-campo adversário e enterrando a bola na rede, Tuchel não poderia ter ficado mais emocionado. “Jude aproveitou totalmente a nossa ideia”, disse Tuchel. “Ele estava totalmente comprometido com a ideia e o espírito de equipe, e em jogar em total coesão com todos os outros.”
Poucas pessoas assistiriam aos três jogos da Inglaterra no Grupo L e diriam que são prováveis vencedores da Copa do Mundo. Esta é uma equipe com tantos pontos fracos quanto fortes. Mesmo nos últimos dois jogos, onde manteve dois jogos sem sofrer golos, eles concederam chances no contra-ataque para Gana e Panamá que manterão os torcedores ingleses acordados à noite.
E, no entanto, se esta for uma Copa do Mundo de momentos, e será vencida pelas equipes, ou melhor, pelos jogadores que conseguem criar coisas mágicas, então talvez Bellingham ainda possa ser o protagonista final. Não existem muitos jogadores como ele. E ninguém vai querer enfrentar um time com ele, se preocupando constantemente com o que vai imaginar, com o que tem o poder de criar.